Relato de família dos Estados Unidos da América pate 1
parte 2
Até o início deste século a crença na reencarnação estava restrita a
pequenos grupos como a Unity School of Christianity, a Theosophical
Society, e a Association for Research and Enlightenment de Edgar Cayce. 1
Pelos anos 80, contudo, não apenas estes grupos ganharam bem mais que
um milhão de seguidores, mas celebridades como Jeanne Dixon e Shirley
MacLaine popularizaram a reencarnação para as massas. Enquanto cinquenta
anos atrás relativamente poucos americanos acreditavam em reencarnação,
hoje mais ou menos um quarto de todos os americanos a aceitam,
juntamente com cerca de metade da população mundial.2
Virtualmente todos os modernos proponentes da reencarnação no Oeste
clamam que ela "está em completa harmonia com o verdadeiro espírito do
Cristianismo." A igreja antiga ensinou a reencarnação, alguns dizem, até
o sexto século quando foi suprimida em um concílio. Neste artigo nós
vamos examinar este clamor que a igreja suprimiu a doutrina da
reencarnação.
Reencarnação definida
A doutrina da reencarnação deriva-se da antiguidade, originando-se do
Leste, mas também encontrada na Grécia. Ela "ensina que a alma entra
nesta vida, não como uma criação recente, mas depois de um longo curso
de existências prévias nesta terra e em outros lugares... e que está a
caminho de futuras transformações que agora está a formando." 3
De acordo com um conceito oriental de reencarnação, homem dependendo
de seus atos em sua existência prévia pode vir em qualquer tipo de forma
de vida, incluindo vários animais, bem como a forma humana.
Reencarnacionistas do Oeste contudo geralmente defendem que homens e
mulheres só podem ser reencarnados em seres humanos. Reencarnacionistas
ocidentais frequentemente referem-se à visão oriental como
"transmigração" e à visão ocidental de "reencarnação". Tradicionalmente,
no entanto, os termos "transmigração", "reencarnação", e "metempsicose"
tem sido usados como sinônimos.4
Por outro lado, reencarnação deve ser distinguida de pré-existência da
alma. Enquanto que todos aqueles que acreditam em reencarnação devem
acreditar que as almas reencarnadas pré-existiram, nem todos aqueles que
aderem à pré-existência da alma aceitam a reencarnação. Um exemplo
moderno seria os mórmons.
A fundamental e geralmente não mencionada premissa da reencarnação é
"monismo", a crença que somente uma realidade existe. Desde que isto
significa que todas as coisas são parte de uma realidade essencial, não
há distinção real entre Deus, o mundo, e pessoas - eles são todos "um".
Neste sistema de pensamento "Deus" é considerado, não um Criador
pessoal, mas uma força impessoal ou consciência da qual todos fazemos
parte. 5
Assim, Shirley MacLaine declara que "Deus" é "a palavra que usamos para
um conceito de energias espirituais incrivelmente complexas" e sugere
que "a tragédia da raça humana era que nós esquecemos que éramos cada um
Divinos". 6
A reencarnação de uma alma, então, tem sido classicamente entendida
como uma jornada de Deus a Deus, o objetivo sendo a reabsorção no Um. 7
Reencarnção e a Bíblia
As crenças que forma o contexto do reencarnacionismo tanto Oriental
como Ocidental são claramente incompatíveis com o Cristianismo bíblico.
Então, o caso contra a reencarnação ser "Cristã" vai além de suas
implicações para a pós-vida, e envolve muito mais que alguns
textos-chave da Bíblia. De preferência, a revelação bíblica inteira em
seu ensino sobre Deus, o mundo, homem, pecado e salvação se levantam
como um todo contra o reencarnacionismo.
No entanto, adeptos da reencarnação no Oeste invariavelmente tentam
reconciliar sua crença com o Cristianismo. Se diz que o Novo Testamento
foi escrito por autores desconhecidos em um período muito posterior para
ser confiável em seu testemunho dos ensinos de Jesus, e então Seus
ensinos sobre a reencarnação foram largamente perdidos. (Muitas pessoas
rejeitam a Bíblia que temos como um conhecimento não real sobre os
ensinos de Jesus). Também é dito que o Novo Testamento foi codificado
com exclusões e interpolações incluídas no texto no sexto século e
depois por anti-reencarnacionistas, que até removeram livros inteiros,
assim que o próprio texto não é confiável. Finalmente, a despeito da
alegada tentativa no sexto século de remover a reencarnação da Bíblia,
diz-se que certos "vestígios" da doutrina podem ser detectados em alguns
textos (ex., Mt. 17:10-13; Jo 3:3,7; Jo 9:1-3; Ef 1:4; Ap 3:12). 8
Não é possível dar uma refutação cuidadosa no espaço limitado deste artigo. 9
Os dados de data, autoria e transmissão dos documentos do Novo
Testamento receberam tratamento definitivo por eruditos evangélicos, aos
quais o leitor é referenciado.10
Estes eruditos mostraram que todo o Novo Testamento foi escrito no
primeiro século, por apóstolos ou associados próximos e que o texto do
Novo Testamento foi fielmente transmitido através dos séculos. A
respeito do cânon (livros aceitos como inspirados) do Novo Testamento,11
não foi contra a reencarnação que houve a aceitação de alguns escritos e
a rejeição de evangelhos apócrifos e outros escritos que foram
excluídos do cânon. Ao invés disto, os livros do Novo Testamento foram
aceitos porque eles foram escritos por apóstolos ou associados
apostólicos e foram rastreados até o primeiro século. Os livros que
foram excluídos não eram apostólicos, e foram escritos entre o segundo e
o nono século. 12
Além disto, o cânon do Novo Testamento foi desenvolvido no segundo e
terceiro século e recebeu sua forma final no quarto século,13 não no sexto século, como os reencarnacionistas clamam. Então, a crítica dos reencarnacionistas é inválida.
O argumento que vestígios da crença no reencarnacionismo podem ser
encontradas espalhadas pelo Novo Testamento é basicamente incompatível
com outros argumentos já discutidos. Se os livros do Novo Testamento
foram escritos por autores desconhecidos tarde demais para serem
historicamente não confiáveis, e se escribas do sexto século alteraram o
texto do Novo Testamento, qual o valor destes alegados "vestígios"? De
qualquer forma, os reencarnacionistas não possuem nenhum direito de
citar a Bíblia em defesa de suas crenças se ao mesmo tempo eles
argumentam que a Bíblia não é confiável.
Um exame detalhado destes alegados textos-chave para a reencarnação
não é possível neste artigo. Contudo, muitos estudos úteis sobre a
questão foram publicados por Cristãos, mostrando que a Bíblia
simplesmente não contém nem mesmo uma evidência em favor da
reencarnação, enquanto que a maioria de seus ensinos principais a
contradizem.14
Reencarnação e os primeiros pais da igreja
Reencarnacionistas do Oeste hoje tipicamente argumentam que a
primeira igreja mantinha a crença na reencarnação até o sexto século,
quando ela foi suprimida pelo imperador Romano através de um concílio da
igreja. Para refutar este clamor, nós precisamos primeiro examinar os
registros para ver se os primeiros pais da igreja ensinaram a
reencarnação. Nosso exame vai revelar que reencarnação não era uma
grande preocupação dos primeiros pais, que mantinham a esperança bíblica
da ressurreição,15
mas que sempre que discutiam a reencarnação eles a condenavam
completamente. Reencarnacionistas fabricaram uma falsa história da
igreja primitiva baseada em 1) uma reconstrução deliberada das
evidências que ignora a vasta maioria do testemunho dos pais; 2)
citações parciais dos pais, geralmente fora de contexto; 3)
interpolações nas citações dos pais; e 4) citações fabricadas.
Justino Mártir (c. 100-165)
Justino Mártir foi um dos primeiros pais da igreja. Ele é frequentemente chamado de "um primeiro reencarnacionista Cristão".16 Referindo ao capítulo IV do Diálogo com Trifo
de Justino, reencarnacionistas clamam que "ele ensinou que almas
humanas habitam mais de um corpo no curso de sua peregrinação terrena".17
O que Justino realmente diz? Ele apresenta um diálogo no qual ele
discute com Trifo a questão da reencarnação; ao final desta discussão, o
diálogo conclui como segue-se (note que "Eu" é Justino e "ele" é Trifo,
o Judeu com quem ele está debatendo; Trifo fala primeiro):
"Então almas nem vêem Deus nem transmigram para outros
corpos; pois eles devem saber que então eles são punidos, e eles teriam
medo de cometer até mesmo o mais trivial pecado depois disto. Mas que
elas podem perceber que Deus existe e que justiça e piedade são
honoráveis, eu também concordo com você", disse ele. "Você está certo," respondi.18
Clemente de Alexandria (c. 155-220)
Outro pai da igreja que alega-se frequentemente ter ensinado a
reencarnação foi Clemente de Alexandria, com base em sua declaração no
primeiro capítulo de sua Exortação aos Gentios que "antes da fundação do mundo éramos nós". 19
No máximo esta declaração deveria ser construída (fora de seu contexto)
para ensinar a pré-existência das almas. De fato, no entanto, a
declaração de Clemente no contexto nem chega tão longe. Ao contrário,
ele está simplesmente estabelecendo a pré-existência de Jesus Cristo
como o Verbo (ou Logos) e o pré-conhecimento de Deus e propósito de nos criar e nos amar antes da criação:
Mas antes da fundação do mundo éramos nós, quem, por ser
destinados a estar n'Ele, pré-existimos nos olhos de Deus antes, - nós,
as criaturas racionais do Verbo de Deus, da parte de quem somos datados
do princípio; pois "no princípio era o Verbo".20
Note que Clemente cuidadosamente qualifica sua declaração que nós
existimos no princípio com as palavras "nos olhos de Deus",
significando, é claro, que nossa "pré-existência" era uma idéia na mente
de Deus, não como entidades substanciais.
Orígenes (c. 185-254)
Orígenes foi admitidamente um dos mais brilhantes e inovadores
teólogos da igreja primitiva. Ele foi também, contudo, infame por suas
especulações teológicas. Ele é o pai da igreja mais frequentemente
citado por reencarnacionistas como ensinando sua doutrina. Uma passagem
frequentemente citada é a seguinte, de Contra Celso (I.32), exatamente como citado pelos reencarnacionistas Head e Cranston:
Ou não é mais em conformidade com a razão, que cada alma,
por certas razões misteriosas (Eu falo agora de acordo com a opinião de
Pitágoras, Platão e Empédocles, que Celso frequentemente cita), é
introduzida em um corpo e introduzida de acordo com seus méritos e ações
passadas? É provável, então, que esta alma também, que conferiu mais
benefícios por sua [anterior] residência na carne que muitos homens
(para evitar prejuízo, não não direi "todos"), ficou com a necessidade
de um corpo não somente superior a outros, mas investido de todas as
excelentes qualidades.21
Vários comentários a respeito desta passagem devem ser feitas.
Primeiro, Orígenes qualifica esta declaração dizendo, "Eu falo agora de
acordo com a opinião de Pitágoras, Platão e Empédocles, que Celso
frequentemente cita". Esta qualificação indica que Orígenes está
argumentando com base nas crenças de Celso, não de suas próprias
crenças. Um reencarnacionista, Anthony J. Fisichella, omitiu esta
cláusula inteira quando cita a passagem.22
Segundo, a inserção da palavra "anterior" em colchetes precedendo a
frase "residência na carne" por Head e Cranston na citação como
reproduzido acima muda completamente o significado. Orígenes não está
falando sobre uma prévia reencarnação em distinção a uma subsequente
reencarnação, mas sobre uma simples encarnação.
Terceiro, o ponto que Orígenes está tentando fazer no contexto foi
completamente perdido. Orígenes não está falando sobre o nascimento
natural de um ser humano comum, mas sobre a concepção miraculosa de
Jesus no ventre de uma virgem. Na primeira metade do capítulo Orígenes
refuta a lendária explicação do nascimento virginal que estava
circulando entre os Judeus (e foi tomada por Celso) que Maria cometeu
adultério com um soldado Romano. Ele então propõe a seguinte questão:
É conforme até mesmo à razão, que aquele que ousou fazer
tanto pela raça humana... não deveria ter um nascimento miraculoso, mas o
mais vil e infame de todos [ex., um nascimento ilegítimo]? E eu vou
perguntar deles como Gregos, particularmente de Celso, que ou mantém ou
não os sentimentos de Platão e que a qualquer hora os cita, se Aquele
que envia almas para os corpos dos homens, degrada Aquele que ousa fazer
tais atos, ensinar tantos homens, reformar tantos da massa de pecadores
no mundo, a nascer de forma mais infame que qualquer outro, ao invés de
introduzí-lO no mundo através de um matrimônio dentro da lei?23
Então segue-se imediatamente a citação original reproduzida acima,
apelando para os filósofos gregos tão respeitados por Celso, para provar
que de acordo com seu ensino alguém tão nobre como Jesus obviamente
era, não poderia ter um nascimento tão ignóbil quanto Celso estava
clamando. Com este contexto em mente, é evidente que Orígenes não está
aqui argumentando a favor da reencarnação, o argumento sequer o implica.
Ele argumenta com base na pré-existência das almas, uma opinião que ele
mesmo mantinha, apesar de que mesmo aqui ele dá como fonte daquela
opinião a filosofia grega pagã, não a doutrina cristã.
Mais tarde no mesmo tratado, Orígenes faz o seguinte comentário:
Mas sobre estes assuntos muito, de um tipo místico, pode-se
dizer; em manter o seguinte: "é bom manter perto o segredo de um rei", -
para que a doutrina da entrada das almas nos corpos (não, contudo, da
transmigração de um corpo para outro) não seja colocada antes do
entendimento comum, nem o quê é sagrado seja dado aos cães, nem pérolas
sejam jogadas aos porcos.24
Esta declaração deixa claro que Orígenes mantinha a doutrina herética
que almas humanas pré-existiam seus corpos físicos, mas não mantinha
reencarnações.25
Cerca do mesmo tempo que ele escreveu Contra Celso, por volta do ano 247 (e então chegando ao fim de sua vida),26
Orígenes escreveu o comentário de Mateus no qual ele discute bastante
se João Batista era a reencarnação de Elias. Sua resposta a esta questão
era inequívoca:
Neste lugar [Mt. 17:10-13]
não parece para mim que, por Elias, refere-se à alma, para que não caia
no dogma da transmigração, que é estranha à igreja de Deus e não
ensinada pelos Apóstolos, nem em qualquer lugar é estabelecido nas
Escrituras...27
Orígenes então dá início a uma grande discussão da transmigração,
argumentando que é contrária à doutrina bíblica de um julgamento no fim
dos tempos, e que João não tinha a "alma" mas o "espírito e poder" de
Elias (Lucas 1:17).28 Nenhuma declaração mais clara rejeitando a doutrina da reencarnação poderia ser imaginada.
É verdade que Jerônimo, um importante pai da igreja no quinto século,
argumentou que Orígenes defendia a reencarnação. Escrevendo uma carta a
Avitus cerca de 409 ou 410, Jerônimo acusou Orígenes de defender a
"transmigração das almas", incluindo a idéia que espíritos tanto
angélicos quanto humanos "podem em punição ou grande negligência ou
loucura ser transformados em animais", ou seja, ser reencarnados em
animais.29 Contudo, nesta mesma carta Jerônimo admite que Orígenes qualificou suas declarações a respeito do assunto:
Então, para que ele não seja culpado de manter com Pitágoras
a transmigração das almas, ele resume a racionalização imoral com a
qual ele feriu seu leitor, dizendo: "Eu não devo ser levado a fazer
dogmas destas coisas; elas são apenas mencionadas como conjecturas para
mostrar que elas não são completamente negligenciadas".30
Desde que a crítica de Jerônimo a Orígenes está baseada nos primeiros
escritos de Orígenes (particularmente "Dos primeiros princípios",
escrito entre 212 e 215) e em seus escritos posteriores Orígenes rejeita
explicitamente a transmigração das almas, e desde que mesmo Jerônimo
admite que Orígenes queria parar rapidamente de manter aquela doutrina,
nós podemos concluir com segurança que Orígenes não ensinou a
reencarnação.
Jerônimo (c. 345-419)
Como nós acabamos de ver, Jerônimo condenou Orígenes como um herético
parcialmente com base nas alegadas inclinações de Orígenes para a
reencarnação. É contudo surpreendente saber que vários
reencarnacionistas clamam que Jerônimo acreditava na reencarnação! Um
reencarnacionista até mesmo cita a carta de Jerônimo a Avitus como prova31 - a mesma carta na qual Jerônimo condena Orígenes por ensinar reencarnação!
Outros reencarnacionistas tem atribuído a Jerônimo a seguinte
declaração em sua carta a Demetrius: "A doutrina da transmigração tem
sido secretamente ensinada de tempos antigos a pequenos números de
pessoas, como uma verdade tradicional que não foi divulgada".32
Uma procura por esta carta, contudo, revela nenhuma declaração desta.
Ao invés disto, nós encontramos mais uma vez Jerônimo condenando a
doutrina como um "ensino imoral e não-divino" que "se arrasta
secretamente como uma víbora em seu buraco".33
A rejeição da reencarnação pelos Pais
Não somente nenhum dos pais da igreja ensinou a reencarnação - nem
mesmo Orígenes, que manteve a pré-existência das almas, mas eles
rejeitaram explicitamente a noção como completamente contrária à fé
Cristã. Nós já temos visto isto no caso de Justino Mártir, Orígenes e
Jerônimo. Somente no período ante-niceno (ou seja, antes do Concílio de
Nicéia em 325), pais da igreja que rejeitaram a reencarnação ao lado de
Justino Mártir e Orígenes incluem Ireneu, Minúcio Félix, Tertuliano e
Lactânio.34 Importantes pais da Igreja do quarto e quinto século além de Jerônimo que rejeitou a reencarnação incluíam Agostinho e Basílio.35 Apologistas da reencarnação admiritiram que muitos destes pais da igreja de fato opuseram-se à doutrina da reencarnação.36
Em adicão a esta evidência, todos os pais da igreja ensinaram
doutrinas que eram incompatíveis com a crença na reencarnação. Os pais
ensinaram que salvação era um dom ganho para nós por Cristo e que no
final da era os corpos dos fiéis seriam levantados para a vida eterna e
dos perdidos para o julgamento eterno. Os escritos dos pais da igreja
são então impregnadamente anti-reencarnacionistas como a Bíblia.
O segundo concílio de Constantinopla
Até este ponto nós mostramos que nenhum dos pais da igreja comumente
reconheceram como ortodoxa durante os cinco primeiros a reencarnação.
Diante desta evidência, alguns reencarnacionistas apelaram a uma última
trincheira de argumentação calculada para minar toda a evidência
documental da Bíblia e dos pais da igreja contra sua doutrina. Este
argumento é um clamor de que toda ou praticamente toda a evidência da
crença na reencarnação foi eliminada da Bíblia e dos escritos dos pais
pelo Segundo Concílio de Constantinopla (também chamado de Quinto
Concílio Ecumênico) em 553. Leslie Weatherhead, por exemplo, clamou que a
reencarnação "foi aceita pela igreja primitiva pelos primeiros cinco
séculos de sua existência. Somente no ano 553 d.C. o Segundo Concílio de
Constantinopla a rejeitou e somente então por uma limitada maioria".37
Muitos reencarnacionistas clamam que este concílio foi especificamente
convocado pelo Imperador Romano Justiniano para condenar a reencarnação e
apagar todas as referências a ela da Bíblia.38
Há numerosas objeções que podem ser levantadas contra estes clamores.
Primeiro, o cânon do Novo Testamento como conhecemos hoje estava
finalizado, no mais tardar, no século quarto, como já explicamos. De
fato, nós temos numerosos manuscritos do Novo Testamento datados entre o
segundo e o quinto século, tanto quanto manuscritos datados muito mais
tarde. Os textos dos manuscritos do Novo Testamento datados de antes do
sexto século não se diferenciam consideravelmente daqueles datados do
sexto século em diante. Este fato sozinho prova que o concílio de 553
não alterou a Bíblia para suprimir a reencarnação nem qualquer outra
crença.
Segundo, o Segundo Concílio de Constantinopla não teve relação
nenhuma com reencarnação. O item principal na agenda era lidar com a
heresia monofisita, que ensinava que o Cristo encarnado tinha apenas uma
natureza (ao invés das duas naturezas de Deus e homem ensinadas pelo
Novo Testamento e a igreja primitiva). Tanto naquele concílio ou cerca
daquele tempo uma lista de "anátemas" ou condenações foram publicadas
contra (entre outras coisas) a noção da pré-existência das almas (como
encontrado em Orígenes e alguns de seus seguidores), mas não há qualquer
menção feita da reencarnação, que era evidentemente nem mesmo um ponto
controverso.39
De fato, outros reencarnacionistas têm argumentado que por causa da
dúvida se o concílio em 553 teve alguma relevante coisa a dizer sobre a
reencarnação, não há qualquer razão para considerar a reencarnação como
oficialmente condenada pela igreja!40
Claro, o quê este argumento omite é o fato de que Cristãos não
acreditam na reencarnação porque ela é antitética à cristandade bíblica,
não porque eles acham (erroneamente ou não) que ela foi condenada em
553.
Em conclusão, reencarnação certamente não foi suprimida pela igreja
no sexto século ou em qualquer outro tempo. Ela foi explicitamente
rejeitada pelos líderes da igreja desde o meio do segundo século, e
nunca foi tomada seriamente como uma crença que deveria ser adotada por
Cristãos. As crenças de Orígenes na pré-existência das almas foi tratada
como uma aberração pelos pais da igreja e concílios que vieram após
ele. Advogados da reencarnação tiveram que inventar textos
não-existentes, interpolar palavras em outros textos, citar passagens
anti-reencarnacionistas como se elas suportassem a doutrina e geralmente
apresentar uma reconstrução mítica da história da igreja primitiva, a
fim de defender que a igreja primitiva já ensinou a reencarnação.
Teorias requerendo tais defesas inseguras podem ser seguramente
consideradas falsas.
Notas
1. Mark Albrecht, Reincarnation: A Christian Appraisal (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1982), 9. 2. E. D. Walker, Reincarnation: A Study of Forgotten Truth (New Hyde Park, NY: University Books, 1965), 14. 3. Walker, 11. 4. The Encyclopedia of Philosophy, s.v. "Reincarnation," por Ninian Smart. 5. Sobre como o monismo se relaciona com o movimento
da Nova Era, veja Elliot Miller, "What Is the New Age Movement?" Forward
8 (1985), 16-23. 6. Shirley MacLaine, Out on a Limb (New York: Bantam Books, 1983), 279, 347. 7. Veja Norman L. Geisler e J. Yutaka Amano, The
Reincarnation Sensation (Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 1986),
para uma completa análise e crítica de várias formas de crença na
reencarnação. 8. Para todos estes argumentos, veja, por exemplo,
Joseph Head and S.L. Cranston (eds.), Reincarnation: The Phoenix Fire
Mystery (New York: Julian Press, 1977), 134-40; Quincy Howe,
Reincarnation for the Christian (Philadelphia: Westminster Press, 1974),
92-97; James Dillet Freeman, The Case for Reincarnation (Unity Village,
MO: United School of Christianity, 1986), 75-77. 9. Uma discussão destas questões e como elas se relacionam à reencarnação é encontrada em Albrecht, 36-43. 10. Veja especialmente F. F.. Bruce, The New
Testament Documents: Are They Reliable? (Grand Rapids, MI: William B.
Eerdmans Publishing Co., 1960), Norman L. Geisler e William Nix, A
General Introduction to the Bible, rev. ed. (Chicago, IL: Moody Press,
1986), e Donald Guthrie, New Testament Introduction (Downers Grove, IL:
Intervarsity Press, 1970). 11. Por exemplo, R. Laird Harris, The Inspiration and Canonicity of the Bible (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing Co., 1973). 12. Bruce M. Metzger, An Introduction to the Apocrypha (New York: Oxford University Press, 1957), 249. 13. Veja qualquer Bíblia padrão ou dicionário teológico ou enciclopédia sobre este ponto. 14. Por exemplo, Geisler e Amano, 133-54; veja também Albrecht, 36-40. 15. Sobre os pais da igreja e a ressurreição, veja
especialmente Joanne E. McWilliam Dewart (ed.), Death and Resurrection,
Message of the Fathers of the Church, Vol. 22 (Wilmington, DE: Michael
Glazier, 1986). 16. Geddes MacGregor, Reincarnation in Christianity:
A New Vision of the Role of Rebirth in Christian Thought (Wheaton, IL:
Theosophical Publishing House, 1978), 25. 17. MacGregor, 36. 18. Justin Martyr, Diálogo com Trifo, IV. Todas as
citações dos pais da igreja podem ser encontrados em The Ante-Nicene
Fathers, eds. Alexander Roberts and James Donaldson, e A Select Library
of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, eds. Philip
Schaff and Henry Wace (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing
Co., 1983 reprint). 19. Head e Cranston, 141-42; MacGregor, 48. 20. Clemente de Alexandria, Exortação aos Gentios, I. 21. Orígenes, Contra Celso, I.32, como citado em Head e Cranston, 147. 22. Anthony J. Fisichella, Metaphysics: The Science of Life (St. Paul, MN: Llewellyn Publications, 1986), 134. 23. Contra Celso, I.32. 24. Contra Celso, V.29. 25. Veja também Orígenes, De Principiis ("Do
Princípio") III.5, citado em Head e Cranston, 147; esta passagem prova
que Orígenes ensinou a pré-existência das almas, mas não a reencarnação. 26. Veja as notas editoriais no The Ante-Nicene Fathers, Vol. X, 411. 27. Orígenes, Comentário de Mateus, XIII.1. 28. Ibid., XIII.1-2. 29. Jerônimo, Carta CXXIV, a Avitus, 4, 15. 30. Ibid., 4. 31. David Christie-Murray, Reincarnation: Ancient
Beliefs and Modern Evidence (London: David and Charles, 1981), 59,
citado em Albrecht, 47. 32. Joseph Head and S. L. Cranston (eds.),
Reincarnation: An East-West Anthology (Wheaton, IL: Theosophical
Publishing House, 1968), 38. 33. Jerônimo, Carta CXXX, a Demetrius, 16. 34. Ireneu, Contra Heresias, II.33.1.5; Tertuliano,
Apologia, 48; A Treatise on the Soul, 28-35; Minucius Felix, Octavius,
34; Lactantius, The Divine Institute, 18-19. 35. Agostinho, A cidade de Deus, X.30; Basílio, The Hexaemeron, VIII.2. 36. Head e Cranston, Phoenix Fire Mystery, 142-43, 149-51. 37. Leslie Weatherhead, The Christian Agnostic
(Nashville, TN: Abingdon Press, 1972), 209-10, citado em John Hick,
Death and Eternal Life (San Francisco, CA: Harper & Row, 1976), 392. 38. Noel Langley, Edgar Cayce on Reincarnation (New
York: Warner Books, 1967), 179; Leoline L. Wright, Reincarnation: A Lost
Chord in Modern Thought (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House,
1975), 67; etc. 39. Veja, por exemplo, os artigos sobre
"Constantinopla, Segundo concílio de," and "Origenismo", na The New
International Dictionary of the Christian Church, ed. J.D. Douglas, 2d
ed. (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing Co., 1978): 257, 734. 40. Head e Cranston, Phoenix Fire Mystery, 158.
Referências bíblicas
Mateus 17:10-13
10 E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então
os escribas que é mister que Elias venha primeiro? 11 E Jesus,
respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará
todas as coisas; 12 Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram,
mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o
Filho do homem. 13 Então entenderam os discípulos que lhes falara de
João o Batista. João 3:3, 7
3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que
aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 7 Não te
maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. João 9:1-3
1 E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. 2 E os seus
discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus
pais, para que nascesse cego? 3 Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus
pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. Efésios 1:4
Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Apocalipse 3:12
A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca
sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do
meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o
meu novo nome. Lucas 1:17
E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os
corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o
fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Traduzido do site: http://www.mtio.com/articles/aissar14.htm